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BANDEIRANTES – Mensagens apontam que combustível clandestino era negociado com prefeito

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        Mensagens de texto e comprovantes de transferências bancárias encontrados no celular de um motorista de caminhão-tanque  apontam que o esquema de desvio e venda clandestina de óleo diesel, descoberto pela Deleagro (Delegacia Especializada de Combate a Crimes Rurais e Abigeato) na manhã de quarta-feira (10), em Bandeirantes, a 70 quilômetros de Campo Grande, era negociado diretamente com Celso Ribeiro Abrantes, prefeito da cidade.

De acordo com a investigação, Celso é dono da oficina onde ocorreu o flagrante, irmão do mecânico preso no pátio Selmo Ribeiro Abrantes. O crime foi descoberto após equipe da especializada monitorar o local durante a operação Protetor das Divisas e Fronteiras.

Na ocasião, os policiais pegaram Selmo ajudando o motorista de uma transportadora a descarregar o combustível furtado diretamente em tanques plásticos escondidos sob árvores. Os dois foram autuados em flagrante pela equipe da Deleagro.

Embora o mecânico estivesse operando o transbordo do combustível no momento da abordagem, as provas colhidas pela polícia apontam para o dono da propriedade. Ao ser detido, Paulo confessou o furto e autorizou o acesso dos policiais ao seu aparelho telemóvel.

A análise do aparelho expôs que o comprador e articulador de toda a transação ilegal era Celso. Conforme o relatório da polícia, as conversas por aplicativo e os comprovantes de depósitos eletrônicos evidenciam que a negociação do produto ilícito ocorria de forma direta entre o motorista e o prefeito, que é dono do local.

Ainda segundo o relato do motorista, ele pretendia descarregar 600 litros de óleo diesel na manhã de quarta-feira, cobrando o valor fixo de R$ 4,00 por litro.

Já Selmo declarou em depoimento  que sua função se limitava estritamente à manutenção dos veículos e à organização do pátio da oficina. Ele confirmou que já havia ajudado o motorista a descarregar combustível ali em duas ou três oportunidades anteriores, mas alegou que desconhecia totalmente os valores cobrados, a forma de pagamento ou a origem ilícita do produto, afirmando que as tratativas eram de exclusividade de seu irmão.

Apreensão

De acordo com o boletim de ocorrência, a polícia apreendeu quatro tanques de grande porte, contendo cerca de 1,7 mil litros de diesel S-500 e S-10 armazenados ilegalmente, além de 20 tambores plásticos de menor escala para fracionamento. A equipe pericial examinou o caminhão-tanque e o devolveu à empresa transportadora lesada.

O delegado titular da Deleagro, Mateus Zampieri Nogueira, ratificou a prisão de ambos os envolvidos e negou o direito à fiança na esfera policial devido à gravidade econômica e ao risco ambiental pelo armazenamento inadequado de substância inflamável.

Paulo Cezar responderá por furto qualificado com abuso de confiança e permaneceu na carceragem da especializada. Já o mecânico Selmo Abrantes foi transferido para as celas da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol, em Campo Grande, onde aguarda a audiência de custódia.

Ao Campo Grande News, o delegado explicou que as investigações vão continuar para confirmar a participação de outras pessoas, além dos dois presos, no esquema.

Em pronunciamento oficial divulgado em vídeo nas redes sociais na manhã desta quinta-feira (11), Celso Ribeiro contestou as acusações e declarou que seu irmão, Selmo, foi “vítima de uma situação com muita politicagem” arquitetada para atingi-lo.

“Se a gente cometeu uma contravenção, não chega a ser um crime porque, na realidade, quem trouxe o óleo aqui foram os próprios caminhões que traz com nota e tudo da transportadora. O único crime eu acho que aconteceu ali é a gente pegar um combustível sem nota”, declarou Celso Abrantes.

O prefeito confirmou que o pátio da oficina costuma receber caminhões para a entrega de combustível,  justificando o estoque pelo alto uso de maquinário próprio e de um caminhão de seu irmão, mas alegou que o único erro cometido no episódio foi o recebimento do óleo diesel sem a respectiva nota fiscal no momento do descarregamento.

Celso ainda sustentou que o combustível foi trazido por caminhões da própria transportadora e afirmou estar de “bola para frente” e alegou confiar que a Justiça esclarecerá o caso e demonstrará o caráter e a inocência de seu irmão. (campograndenews)

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