Jornal Oeste/PCS
Diário de Cáceres
A soltura de um garoto de 1º anos, que juntamento com um maior, estuprou uma criança de sete anos incompletos na semana passada em Cáceres, deixou a delegada responsável pelo inquérito, Elizabeth Garcia dos Reis (titular da Delegacia da Mulher e da Delegacia da Infância e Juventude), indignada.
Tão indignada que, numa atitude pouco comum, ela usou as redes sociais e postou um desabafo, onde escreveu o termo “di menor”, popularmente utilizado. Na narrativa, ela conta que ouviu os lamentos da família do menos, ainda na delegacia, quando viram que o acusado havia sido liberado. Veja abaixo o desabafo:
“Amigos do Face, nunca comentei sobre o meu trabalho nesta página mas hoje quero dividir com todos vocês a minha frustração sobre uma ocorrência de estupro de vulnerável envolvendo um adolescente “OS DI MENOR”, e um maior de idade e uma criança do sexo masculino (VíTIMA), com apenas 6(seis) anos.
O adolescente foi apreendido (pela Polícia Militar) e autuado em flagrante pelo Delegado de plantão, mas vejam que coisa INéDITA. Estávamos nós, servos de DEUS e da POLíCIA JUDICIáRIA CIVIL (a Polícia Militar prendeu o DI MENOR a Polícia Civil o maior de idade), procedendo auto de prisão em flagrante delito do adulto quando ouvi lamentos e gritos de desespero e ao sair do meu gabinete pude ver os familiares da vítima, pois tomaram conhecimento que o agressor ¨DI MENOR¨ havia sido liberado, após ser apresentado ao representante do Ministério Público”.
Os familiares do agressor maior de idade que estavam na sala da frente, os da vítima em outra repartição (como o ambiente é pequeno, tudo se escuta). Resultado, enquanto uns choram, outros se beneficiam. Eu fiz a minha parte. O adulto foi para cadeia pública e quanto tempo ele vai ficar lá, não sei, depende de quem vai interpretar a letra fria da lei.
Eu sou Delegada de Polícia, não Promotor(a) nem Juiz(a). O mais triste de tudo é que NóS Policiais (Civis e Militares) somos aqueles que temos o contato imediato com as vítimas e os agressores. Enquanto as vitimas se apresentam debilitadas física e psicologicamente, envergonhadas, amedrontadas, senão ensaguentadas, sujas e cheirando a esperma e suor, os agressores se sentem seguros e protegidos pelos familiares e advogados e a LEI VIGENTE. Eu faço uma pergunta porque será que a POLíCIA CIVIL E MILITAR cometem o que costumam dizer= mais falhas, erros, são mais punitivas, são truculentas, são abusivas, são violentas, são tudo de ruim a que uma comunidade pode atribuir.
O Promotor de Justiça e o Juiz só tem contato com as partes, depois de algum tempo, quando já passou o primeiro trauma, isso quando a vítima não fica frente a frente com os agressores (pessoas leigas não sabem que podem pedir que o agressor saia da sala de audiência. Normalmente quando a vítima entra na sala de audiência já se depara com o agressor e sem algemas).
Nossas Leis vigentes são retrógradas ou não existe políticas públicas para o perfeito exercício das mesmas, ou os seus executores as estão interpretando de acordo com o que entendem, afinal o Direito nunca foi uma ciência exata.



