Chapadão do Sul/MS

Na “Terra das Oportunidades” sobram vagas por falta de qualificação de mão-de-obra em Chapadão do Sul

Há cerca de 60 dias uma empresa de construção do Pólo Industrial de Chapadão do Sul tenta preencher o quadro de ajudantes de obras com carteira assinada e todos os demais direitos garantidos ao trabalhador. Os poucos que apareceram não passaram do período de experiência porque não iam trabalhar na segunda-feira. A Iaco Agrícola está sempre pedindo profissionais em vários setores de seu complexo industrial e agrícola. Outras empresas da cidade também passam pelo mesmo problema e não conseguem mão-de-obra especializada. Até mesmo o setor de construção civil sente os efeitos da falta d operários.

O atual quadro de crescimento de Chapadão do Sul consolida a máxima de que muitas pessoas preferem ficar desocupadas ao invés de trabalhar. Os motivos são vários e acenam para a falta de qualificação profissional. Cursos foram oferecidos ao longo do ano pelo Poder Público e a iniciativa privada. Apesar de muitos deles serem gratuitos e ainda oferecerem lanche e dinheiro mensal as vagas nem sempre foram preenchidas.

Ao colocar Chapadão do Sul como ?Cidade das Oportunidades? a Rede Globo despertou o interesse de investidores em vários estados, mas também de mais uma migração de mão-de-obra desqualificada que se somará á já existente. Este fenômeno já está acontecendo e poderá ter reflexos sociais em curto espaço de tempo. Uma empresa que contrata funcionários para serviços gerais da cidade não descarta a possibilidade de ?importar? pessoal de Campo Grande pela falta de interesse dos operários locais.

Outras duas empresas do setor de serviços não conseguem contratar um vendedor e um cobrador em Chapadão do Sul. O problema já impede a expansão de negócios. Segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), somente 1º% dos trabalhadores que buscam emprego no país têm algum tipo de qualificação, o que eleva para 7,5 milhões o número de trabalhadores sem qualquer conhecimento técnico ou experiência buscando trabalho no Brasil.

Os dados revelam a tragédia da desqualificação de uma parte considerável da força de trabalho. Isto não é ruim apenas para estes profissionais, mas também para as empresas, que enfrentam mercados cada vez mais competitivos, inclusive competindo com produtos importados. A qualidade da formação dos trabalhadores brasileiros, além de afetar a competitividade do País, prejudica, inclusive, programas e ações voltados para a redução da exclusão social.

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