Chapadão do Sul/MS

Ex faz a “mudança” e deixa mulher e filha na casa vazia na rua Cassilândia, em Chapadão do Sul

Uma dona de casa passou por apuros na tarde desta sexta-feira e foi obrigada a chamar a Polícia Militar para garantir a integridade física. No interior do imóvel que ela dividia há sete anos com o ex-marido restou apenas uma cama de beliche que será ocupada por ela e a filhinha. O ex aproveitou sua ausência e fez a partilha dos bens por conta própria e fez a ?mudança?, deixando a mulher sem nada. Antes de ir embora ele jogou alguns móveis na rua.

O balcão de pia e o que sobrou de um armário ainda estão jogados na frente da casa, na rua Cassilândia, logo após o fim do asfalto. O fogão – também na calçada ? foi levado por alguma família necessitada, aumentando consideravelmente o drama da mulher. O imóvel é próprio, mas a mulher está sem emprego, móveis e não tem como preparar a comida. Recipientes com alimentos também foram jogados no pátio.

Após 7 anos de convivência o ex-marido começou a ficar violento, motivado o processo de separação. A casa, os móveis e o carro são partes do espólio e devem ser divididos entre ambos. O caso passa a ser investigado pela Polícia Civil e será transformado em processo. A justiça vai decidir como será feita a divisão dos bens.

DIA INTERNACIONAL DA MULHER ? A ocorrência se deu uma semana após o Dia Internacional da Mulher, onde elas são massacradas de forma silenciosa em todas as cidades do Brasil e do mundo. A vítima de hoje foi atendida pela PM, mas já está sozinha, exposta e fragilizada diante da fúria do homem.

Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostra que a implantação da Lei Maria da Penha não causou o impacto desejado na redução da morte de mulheres decorrentes de conflitos de gênero no país. Segundo a pesquisa, apresentada em audiência da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, ocorrem 5 mil casos de feminicídio (assassinato de mulheres) por ano no Brasil.

O Ipea avalia que de 2001ºaté 201º, 50 mil mulheres foram assassinadas no Brasil. No período de 2001º2006, antes da implantação da Lei Maria da Penha, a taxa de mortalidade de mulheres no Brasil foi de 5,20 por 12 mil. No período de 2007-201º, o índice ficou em 5,20 por 12 mil. A lei foi promulgada em 7 de agosto de 2006.

Perfil dos crimes

O estudo também aponta que 40% das mortes de mulheres foram cometidas por parceiros íntimos. O índice é 6,6 vezes maior do que o número de assassinatos cometidos por parceiras contra parceiros.

Em relação às condições em que o crime foi cometido, metade das mortes foram realizadas com arma de fogo, 36% ocorreram nos fins de semana e 30% ocorreram em vias públicas. A grande maioria das vítimas é de mulheres negras (60%) e de 20 e 39 anos (54%).

(Redação e Uol Notícias) (Foto na parte interna autorizada pela vítima)

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