Chapadão do Sul/MS

POESIA – O silêncio aduba a maldade. “Tema sensível. Gatilho Emocional”

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Autor – Bruno Rodrigus de Oliveira (Chapadão do Sul)

O brinquedo esnobado no lixo

vai ser alegria na casa alheia da outra menina.

Lá  onde habita o bicho

de olhos gentis e gestos família

certificado na hierarquia ser o provedor.

Sabe camuflar as dores,

esconder o sangue usando alvejante

descolorindo do brio cores todas

ocultando pravo atitudes podres.

Submersa em magia

sai a menina de cena aos pulos

foge pra terra das mil fantasias,

e flora a mulher na angústia-surdina

num desabrochar de torturas parrudas

aos urros no tom da moléstia ardente,

grudada de culpas coladas nas costas:

um peso de não suportar por ninguém.

O brinquedo esconde segredos,

abraça a menina e chora por dois.

Soluça a menina brincando na praça

balança e deseja ser nuvem dispersa

até desmanchar-se em água

correndo direto ao rio,

mas leva consigo sem trégua

a suja enxurrada da mão varonil.

O tempo enterra as águas da chuva

sufoca as mágoas na terra e turva

memórias: sangria daquela menina

nos idos desmemoriados.

A menina-mulher quis fingir esquecer

tatuagem-floral cicatriz encobriu;

não soou sua dor;

não ousou descrever;

assentiu a ninguém a justiça pra si.

O brinquedo na estante da sala

               reclama de dia,

               de noite:

─ É tempo demais na estante da sala.

O brinquedo jamais se esqueceu

               das noites;

               dos choros;

daquela menina encolhida ao lençol protetor;

               dos dias depois;

               dos pais fingidores;

               das dores;

               do choro dos dois;

               da menina saindo de cena ─ fugindo ─,

                              buscando onírica terra ─ fingindo.

Reaprende o brinquedo a sua função

e mais uma vez, pensativo, se cala

               permitindo a si cicatrizar

ao abandonar a estante da sala.

Volta ao lixo, esnobado,

levando consigo verdades,

sabendo será alegria na casa de outra menina,

               porque o silêncio aduba a maldade.

Poema publicado no livro Esternotomia, disponível aqui: https://abrir.link/Lkonx

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Autor Bruno Rodrigues de Oliveira / Chapadão do Sul

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