Acusados de fraudes no Detran de Juti estão foragidos. Na manhã de hoje o Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) emitiu nota atualizada sobre as diligências da” Operação Resfriamento”. Foram decretadas prisões preventivas de três pessoas, entre elas o diretor do Detran, que encontra-se foragido e duas pessoas que atuavam como operadores financeiros da organização criminosa. Também foi obtida a conversão em prisão preventiva de outro servidor do órgão e do despachante que já estavam presos temporariamente.
A Operação Resfriamento apura esquema de emissão de documentos veiculares irregulares, efetivadas na agência do DETRAN da cidade de Juti. As informações são de que veículos irregulares, até mesmo de outros estados, seriam regularizados mediante inserção de documentos falsos e pagamento de propina a servidores sem passar por vistorias de segurança ou mesmo ingressado no estado.
Primeiramente foram presos um servidor do Detran que já havia atuado como gerente da agência e teria sido responsável pelas fraudes no sistema e um despachante da cidade de Dourados. Era ele quem teria formalizado os requerimentos e realizado o pagamento de valores indevidos ao funcionário. Somente em transações diretas entre este servidor e o despachante teriam sido movimentados mais de R$ 150 mil. Durante o cumprimento dos mandados de busca, na última semana, foram ainda apreendidos diversos documentos, valores, veículos em nome de pessoas interpostas, que permitiram avançar nas investigações em busca do esclarecimento dos fatos.
Com o aprofundamento das investigações, foram identificados inúmeros outros veículos em que havia sido feita a mesma fraude na cidade de Juti. Mesmo sendo proibida a circulação de veículos com 4 eixos, quando solicitado pelo despachante investigado, os documentos eram emitidos normalmente com a inserção de dados falsos no sistema, como a ausência de documentos de segurança e utilização de endereços inexistentes. Durante as buscas na agência do DETRAN, nenhum dos procedimentos físicos em que se apuram as fraudes foram encontrados para a verificação dos documentos. O servidor responsável teria alegado que os procedimentos foram subtraídos da agência ou danificados por infiltrações decorrentes da chuva.
Foram confirmados os indícios de prática de corrupção sistêmica empreendida por organização criminosa. O que se identificou foi a existência de três grupos com funções bem definidas e delimitadas dentro da organização. O primeiro é o Grupo Despachante, formado pelo despachante que já se encontrava preso temporariamente, sendo ainda apurada a participação de outros despachantes ou funcionários.
O Grupo Despachante tinha a função de captação de clientes, que são proprietários de veículos irregulares que teriam a intenção de regularizá-los indevidamente. Após a captação dos clientes e pagamento pelo serviço, o Despachante encaminha os documentos para o Grupo Político, integrado pelos dois servidores públicos da agência de trânsito de Juti. São responsáveis por fazer as alterações falsas no sistema do DETRAN, mesmo diante das irregularidades do veículo, endereços falsos e ausências de documentos obrigatórios.
Para o financiamento do esquema, contavam ainda com o Grupo Financeiro, que é composto por pai e filho que serviam como verdadeiros operadores financeiros da organização. Além de pagamentos diretos entre o Grupo Despachante e o Grupo Político, que se aproximam de meio milhão de reais, também eram realizadas transações financeiras por intermédio dos operadores financeiros, que além disso, também seriam responsáveis pela dissimulação e ocultação dos valores movimentados pela organização criminosa. Com o auxílio dos operadores mais de 17 milhões de reais foram movimentados pela organização. Cerca de R$ 1 milhão transacionado apenas por um dos servidores, que tem salário em torno de R$ 3 mil.
Ainda foram identificadas diversas estratégias para ocultação do patrimônio e das movimentações financeiras realizadas pela organização. Dentre as estratégias, estavam a utilização de pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas” e registros de propriedades de veículos em nome de terceiros. Assim, considerando as atividades ilícitas, praticadas pela organização além dos crimes de corrupção e outros correlatos, são também investigados pelo crime de Lavagem de Dinheiro.
Por fim, o que foi possível observar também com as buscas realizadas na última semana, foi que a organização criminosa encontrava-se ainda em pleno funcionamento, seja na fase financeira ou mesmo na emissão de outros documentos fraudados. No escritório do despachante, foram localizados requerimentos ao DETRAN de Juti/MS feitos nesse mês, em que se verificou indícios de utilização de endereço falso. Por esse motivo, as autoridades policiais do DRACCO representaram pela prisão preventiva dos investigados. Contudo, mesmo após o deferimento e diligências para localização dos investigados, não foram encontrados em suas respectivas residências e não há outras informações sobre seus paradeiros.
Nesse sentido, solicita-se que sejam encaminhadas quaisquer informações sobre o paradeiro dos foragidos. As informações podem ser repassadas ao DRACCO de forma anônima, sendo resguardada a fonte. As investigações terão o seu regular prosseguimento, com o intuito de cumprir as ordens prisionais e apurar o envolvimento de outras pessoas na organização ou mesmo a ocorrência da mesma fraude em outros veículos, buscando a repressão necessária e qualificada ao crime organizado e à corrupção.



