Chapadão do Sul/MS

EXPANSÃO do Tráfico na Região Norte esbarra em ações das polícias Militar e Civil. Três morreram em confronto em Costa Rica e um em Coxim

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foto delegado hoffmann

          Segundo relatos das Forças de Segurança de MS Costa Rica, Coxim e Sonora vinham tendo movimentação de facções criminosas que tentam fincar bases em Mato Grosso do Sul. A operação Leviatã, realizada na segunda-feira (27), em Coxim mobilizou cerca de 60 policiais e resultou no cumprimento de 10 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão contra integrantes diretamente ligados a organizações criminosas. Um carro roubado em São Paulo também foi apreendido.

Em Costa Rica três faccionados foram mortos em confronto com a Polícia Militar. Já em coxim um homem morreu na ação das forças de segurança de MS. A operação foi coordenada pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), com apoio de policiais civis de Coxim, São Gabriel do Oeste, Camapuã, Pedro Gomes e Rio Verde de Mato Grosso, além da Polícia Militar, da Polícia Civil e da CGPA (Coordenadoria Geral de Policiamento Aéreo).

A ação foi definida pela cúpula da segurança pública como resposta direta à tentativa de expansão de grupos criminosos vindos principalmente do Mato Grosso. A região norte do Estado, especialmente Coxim, tornou-se ponto crítico após semanas de monitoramento e troca de informações entre unidades.

As investigações indicam que os alvos fazem parte de facções que migraram para o Estado com o objetivo de dominar território e impor controle social. O impacto já é visível. Mortes, sensação de caos e aumento do medo coletivo aparecem como consequência dessa disputa.

Segundo o delegado Hoffman D’avilla, titular do Garras, a movimentação das facções não é recente. “Há cerca de seis meses esses grupos tentam se infiltrar no Estado, aproveitando a posição estratégica de Mato Grosso do Sul, que faz fronteira com Paraguai e Bolívia, rotas importantes para o tráfico internacional”, afirmou.

Ao detalhar a estratégia de avanço das facções em Mato Grosso do Sul, o delegado Hoffman afirmou: “Eles entram de forma estruturada, com planejamento e divisão de funções, buscando se estabelecer e expandir atuação no Estado”.

O cenário se agrava com o conflito entre facções rivais. Entre elas, o CV (Comando Vermelho), que, de acordo com a investigação, disputa espaço com outros grupos para assumir o controle da criminalidade local. 

“Há uma disputa clara por território, e isso acaba refletindo diretamente no aumento da violência”, disse o delegado. O cenário se traduz na escalada de crimes, com registros de homicídios em situações cada vez mais alarmantes, inclusive na presença de crianças e mulheres.

A resposta do Estado tenta frear esse avanço antes que se consolide. A estratégia envolve integração inédita entre forças policiais, atuação baseada em inteligência e ações classificadas como “técnicas e cirúrgicas”.   

Confronto e expansão criminosa – Durante a operação, um dos alvos reagiu à abordagem do Garras. Armado, Fabrício Troch Soares, de 33 anos, conhecido como “Branco do CV”, desobedeceu a ordens policiais e acabou baleado após reação da equipe. Socorrido, não resistiu. O suspeito era conhecido na região, apontado como traficante e integrante ativo do grupo que tenta se fortalecer no norte do Estado.

Casos semelhantes já foram registrados em cidades como Sonora e Costa Rica, com a presença de criminosos vindos de fora. O padrão se repete. As facções alugam imóveis, estabelecem bases, identificam rivais e tentam cooptar criminosos locais. Quem recusa, vira alvo. “Eles tentam impor domínio social, criando um ambiente de medo para facilitar a atuação criminosa”, pontuou o delegado.

Em uma dessas ações, a polícia localizou um imóvel ligado aos suspeitos. No local, havia roupas compatíveis com as dos autores dos crimes. A polícia também encontrou um veículo Chevrolet Prisma, roubado em São Paulo e empregado pelo grupo, inclusive nas duas tentativas recentes de homicídio em Coxim. A equipe apreendeu o material, que será analisado.

A engrenagem criminosa segue um modelo organizado. Há divisão de tarefas, planejamento prévio e uso de intimidação como ferramenta de expansão. A escolha pelo norte do Estado não é casual. A proximidade com Mato Grosso e Goiás facilita deslocamentos e fortalece rotas ilícitas. “A posição geográfica do Estado é estratégica, e isso atrai esse tipo de organização”, afirmou Hoffman.  (Campograndenews com edição da redação)

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