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DELAÇÃO PREMIADA: empresário revela detalhes de corrupção na Câmara de Navirai

(CGNews) O empresário Carlos Brito de Oliveira, o Baiano, uma das dez pessoas presas no dia 8 de outubro durante a Operação Atenas, da Polícia Federal, fez um acordo de delação premiada e está colaborando com o Ministério Público na ação penal sobre o esquema de corrupção existente na Câmara de Vereadores de Naviraí. Prestador de serviços de gravação de vídeos e sonorização para a Câmara Municipal e apontado como um dos integrantes do esquema montado pelo presidente afastado do Legislativo, Cícero dos Santos, o Cicinho do PT, Baiano é réu por crimes de fraude à licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Documentos obtidos pelo site CGNews revelam que o pedido de delação premiada foi feito no dia 1º de novembro pelos promotores Paulo da Graça Riquelme de Macedo Júnior e Letícia Rossana Pereira Ferreira e homologado no dia 1º do mesmo mês pelo juiz Paulo Roberto Cavassa de Almeida. O pedido foi assinado também pelo delegado da Polícia Federal Nilson Ribeiro Negrão e pelo advogado de Baiano, Fauze Walid Selem.

O esquema

O depoimento de Baiano não traz grandes novidades em relação ao que já tinha sido revelado pelas escutas feitas pela Polícia Federal, mas reforça as acusações contra os vereadores, principalmente Cícero dos Santos, fornece detalhes de como o esquema era operado na Câmara e complica a situação de legisladores que escaparam da ação penal, mesmo sendo denunciados pelo Ministério Público.

Baiano revela detalhes dos diálogos e do esquema que teve com Cícero dos Santos e sobre as conversas entre o então presidente da Câmara, outros vereadores da cidade e assessores, que ele ouvia quando visitava o gabinete de Cicinho do PT. Era o empresário que financiava em seu nome os carros usados por Cícero e a mulher, Mainara Géssika Malinski, que também está presa. “Cicinho financiou um veículo Corola em nome do requerido, que aceitou devido aos interesses que tinha em firmar contratos com a Câmara”, afirma trecho do depoimento. Baiano também confessa que pagava notas de despesas feitas pelo presidente da Câmara.

Baiano conta no depoimento os detalhes do esquema das diárias fraudulentas, que eram feitas em nome de vereadores e assessores e pagas com dinheiro público para “turbinar” os vencimentos dos legisladores, principalmente Cícero dos Santos, Marcus Douglas Miranda, Adriano José Silvério e Carlos Alberto Sanches, o Carlão. Cícero continua preso na penitenciária da cidade, Marcus está em prisão domiciliar e os outros dois ganharam liberdade neste mês.

“Carlão tirava diárias em nome da Câmara de Naviraí e quando viajava voltava no mesmo dia. Cícero fez diárias em nome do vereador José Roberto e exigiu que José Roberto desse a ele parte das diárias. Cicinho tirava de R$ 20 mil a R$ 30 mil mensais da Câmara e não tinha outra atividade senão a de vereador”, afirma Baiano.

O vereador José Roberto Alves, citado no depoimento do empresário, chegou a ser denunciado pelo Ministério Público junto com outros legisladores, mas a denúncia foi recusada pelo Poder Judiciário. Ele é o relator da Comissão Processante que apura quebra de decoro por parte de Cicinho, Marcus Douglas, Adriano e Carlão.

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