*Ribeiro Arce
O governo de André Puccinelli tem se notabilizado em distribuir quinquilharias no setor educacional. Primeiro às agendas, a de 201º, por exemplo, chegou até as escolas para distribuição aos alunos com vários meses de atraso, erro, e suspeita de superfaturamento. Os ?presentes? do governo não ficaram apenas nas agendas distribuídas anualmente, logo vieram às camisetas que vestiram os alunos da rede estadual de azul e o kit ?miséria?, uma caixa com materiais escolares de qualidade duvidosa.
Mas como sabemos o governador Puccinelli é um político visionário no quesito educação. Esse ano ele inovou ?presenteando? os professores do Ensino Médio com um tablet. Isso mesmo, caro leitor, um tablet! A novidade tecnológica, na realidade, é apenas um empréstimo para o professor, o ?termo de cessão de uso e guarda? o qual ele é obrigado a assinar no ato do recebimento do aparelho é claro e dá ciência que o equipamento encontra patrimoniado junto à secretaria estadual de educação de MS.
Na realidade o equipamento fica cedido ao professor enquanto ele estiver trabalhando na rede de ensino. Se o profissional, por exemplo, ficar doente e tiver que se afastar das atividades por um período superior a 30 dias terá que devolver o tablet para a direção da escola. No caso da não devolução e uso indevido o professor é obrigado a pagar o equipamento e o valor vem descontado na sua folha de pagamento, ou seja, no holerite.
Ao receber o tablet o professor se compromete a participar de cursos e oficinas de formação continuada ao uso de tecnologias promovidas pelos órgãos da secretaria estadual de educação. Ou seja, fica ainda mais ?amarrado?, compromissado e obrigado as determinações da SED. Logo, o tablet significa mais trabalho na estafante jornada de trabalho enfrentada pelo professor, que na maioria das vezes utiliza o horário de descanso para realizar tarefas escolares.
Vale lembrar que o tal ?termo de cessão de uso e guarda? não informa o valor do tablet. O professor assina um termo e passa a ser o fiel depositário de um equipamento que ele não sabe nem quanta custa. Para quem acha que o professor encontra tudo que precisa no Google, o tablet complementa o conhecimento e supre as carências do professorado. Quero deixar claro que apoio e utilizo as tecnologias no trabalho educacional, agora não posso aceitar um ?presente de grego? nas condições impostas pelo governo.
A população brasileira, nas manifestações recentes em todo o país, cobrou, além de melhorias nos serviços públicos prestados, transparência nas ações dos governantes. A transparência tanto cobrada pela multidão parece estar distante do Parque dos Poderes, tanto é que o governador só percebeu o clamor popular muitos dias depois, quando fez publicar um artigo na mídia dizendo que ia tomar algumas medidas para facilitar o acesso as informações. Importante seria dizer claramente quanto foi pago por cada agenda, cada camiseta, cada kit, cada tablet, enfim, informar a população onde está gastando cada centavo do dinheiro do contribuinte.
*Professor da rede estadual de ensino de MS. E-mail: [email protected]



