CONTATO Lu Santos Santos +256 764 658194 (Uganda)
A sul-chapadense Lú Santos chegou em Uganda (África Oriental) em junho deste ano para trabalhar na base missionária de ajuda humanitária à comunidades vulneráveis sob o ponto de vista alimentar, educacional e de saúde. Coordena a construção de casas para idosos, principalmente viúvas na ilha de Bwonge, na Costa do Lago Vitória. A realidade destas pessoas se resume num cubículo de chão batido e colchão precário. Pelo menos uma unidade/dia está sendo edificada nas ilhas de Uganda. As mulheres que perdem os maridos tem as casas queimadas e são expulsas de suas terras com os filhos. O assunto gerou uma manifestação da ONU (Organização das Nações Unidas) que classificou o abuso de viúvas e crianças como uma das mais sérias violações dos direitos humanos no mundo.
Um grande mutirão mobiliza os moradores das ilhas na construção de casas de madeira com um quarto, banheiro e cozinha. As habitações são entregues pintadas, com piso de cimento queimado, cama, colchão e cobertores. A base missionária também patrocina a alimentação em duas escolas, investimento na educação à crianças que não tem nenhum tipo de apoio.

Sr Mozzey entrega cacho de bananas a Lú Santos em agradecimento à casa recebida
FUNDAÇÃO INTERNACIONAL EM CHAPADÃO DO SUL -Lú Santos tem como projeto imediato a transformação de seu trabalho numa Fundação Institucional para investir em mais países. Em setembro deverá começar a construção da sede própria do projeto e ampliar a assitência humanitária com escritório internacional em Chapadão do Sul. O trabalho de cunho social vem crescendo há anos e já conta com investimento em sete países. O reconhecimento deste trabalho torna necessário a expansão a nivel mundial.
A sede receberá missionários de todos os continentes para a capacitação de equipes que farão as viagens internacionais aos países assistidos em viagens de curto prazo. Há cerca de 10 anos Lú Santos realiza trabalhos humanitários pelo mundo, vivendo aventuras perigosas em regiões em guerras étnicas e entre países. Em Uganda (África Oriental) trabalha nas regiões de Kalangala, próxima à Tanzânia, Quênia e Congo. Sua primeira tarefa foi nas ilhas para construir a primeira escola de alvenaria, em sistema de internato para cerca de 500 crianças, com alimentação e hospedagem aos professores.
COMER É O DESAFIO DIÁRIO – As crianças e adultos tem muita dificuldade no deslocamento entre as ilhas em busca de educação. Lu Santos está aprendendo o básico do idioma local para facilitar a proximidade e o desenvolvimento dos projetos a serem implantados. A ajuda humanitária teve como primeira etapa a entrega de alimentos e remédios nas comunidades ilhadas. Uganda é um dos países mais pobres do mundo e a fome é um desafio diário a ser vencido.
DESESPERO das Viúvas da Ilha de Bwong
O desespero de acordar no meio da noite e ver a própria casa em chamas, sentindo o cheiro forte da gasolina e ouvindo os gritos de homens que queriam queimá-la viva, ainda leva às lágrimas Josephine Kitara (56), mais de dois anos após o crime que quase acabou com a vida dela e dos filhos pequenos. Kitara começou a sofrer ameaças com o intuito de expulsá-la de suas terras pouco após a morte do marido.
Para ela, assim como para muitas mulheres em Uganda e na África em geral, a ausência de um familiar próximo do sexo masculino representa vulnerabilidade a um tipo perverso de violência: a expropriação, sobretudo em zonas rurais. “Meus vizinhos sabem que não tenho um homem em casa e, por isso, acharam-se no direito de ficar com as minhas terras. Tentaram de tudo: me ameaçaram, vandalizaram as minhas plantações e, por fim, tentaram me queimar viva”, explica. Antes de ser viúva, diz, jamais teve qualquer problema.
A poucos quilômetros de distância, Agness Ladwong (60), também viu sua propriedade ser alvo da investida de vizinhos depois da morte do marido. Uma família que pertence a um clã diferente do dela tomou parte das terras e bloqueou o acesso à estrada, obrigando Ladwong e seus cinco filhos a se deslocarem no meio do mato para entrar e sair do terreno.
“Eu me sinto totalmente indefesa. Não temos dinheiro, mas a pessoa que quer as nossas terras é um alto funcionário público. Fiquei em uma situação muito difícil. Hoje, já desisti de manter minhas terras na totalidade, só quero ter algum acesso a ela, um caminho para entrar e sair de uma maneira mais simples”, conta Ladwong.
A questão é tão profunda que a Organização das Nações Unidas (ONU) classificou o abuso de viúvas e crianças como uma das mais sérias violações dos direitos humanos e um dos grandes obstáculos atuais ao desenvolvimento. O problema é sério em qualquer parte do mundo, mas adquire contornos ainda mais dramáticos no norte de Uganda, região que enfrentou quase três décadas de conflitos armados.
A economia local foi arrasada pela disputa entre grupos rebeldes, com destaque para o LRA (Exército da Resistência do Senhor, na sigla em inglês), comandado por Joseph Kony — cujos crimes, como assassinatos e sequestros de crianças para lutarem como soldados, ganharam notoriedade no documentário Kony 2012. Com as atividades industrial e comercial em frangalhos, sem oferta de empregos, possuir um pedaço de terra tornou-se questão de sobrevivência e praticamente a única forma de “riqueza” da região, onde a maioria dos habitantes ainda depende unicamente da agricultura de subsistência.
“A terra, nesse pedaço de Uganda, é tudo. Privar uma viúva e seus filhos da propriedade em que eles sempre viveram e de onde sempre tiraram seu sustento é quase uma sentença de morte”, conta Pamela Judith Angwech, coordenadora da Gulu Women’s Economic Development and Globalization, a GWED-G, organização que cria conselhos locais para orientar mulheres que sofrem com o problema.

Terra de homens
A combinação de uma legislação frágil com uma população pouco instruída faz das viúvas um dos grupos mais vulneráveis de Uganda, vítimas dos próprios parentes e vizinhos. Pela lei, elas só têm direito a 15% dos bens dos maridos. Os demais 85% são destinados aos filhos. Cerca de 30% das mulheres ugandenses são analfabetas e dependem da agricultura de subsistência como única fonte de alimentação. Para agravar a questão, a maioria das terras não tem título formal de propriedade, um processo que ainda é caro e pouco acessível aos mais pobres.
Em Uganda, como em diversos países do leste da África, há uma forte tradição tribal. Muitas das disputas locais são resolvidas por uma espécie de conselho formado pelos homens mais velhos de cada clã. Nesse ambiente patriarcal, é comum que as mulheres não tenham sequer direito a falar nas “audiências” que decidem o destino de suas terras. Mesmo estando em desacordo com a lei, muitos dos veredictos desses clãs privam as mulheres do acesso à terra e de vários outros direitos.
“Em algumas áreas mais remotas, as mulheres não se opõem a essas práticas porque simplesmente não têm instrução e não sabem que elas e seus filhos têm direitos garantidos. Por isso, o trabalho de conscientização, de educação das tribos e das próprias mulheres é importante”, explica Angwech.
Um relatório elaborado pela organização não governamental IJM (Missão da Justiça Internacional, na sigla em inglês), divulgado em 2015, dá a dimensão do problema. O estudo, que entrevistou 1.806 viúvas da região de Mukono, no centro do país, revelou que 30% delas tiveram suas terras expropriadas após a morte dos maridos. A IJM, assim como as demais entidades que trabalham para auxiliar essas mulheres, queixa-se da falta de ação das autoridades. “Não houve praticamente nenhuma resposta na Justiça criminal a esse crime perverso, o que deixou as viúvas efetivamente sem defesa”, diz o documento. (Redação e G1)










