Chapadão do Sul/MS

TV Morena insiste em destacar uso de drogas na zona rural de Chapadão do Sul

Depois que o Jornal Nacional produziu uma reportagem sobre o consumo de drogas na zona rural de Chapadão do Sul a TV Morena ? repetidora do sinal da Rede Globo ? já dedicou duas edições sobre o tema no Bom Dia MS. Na manhã de hoje o título da reportagem foi ?Trabalhadores rurais viciados tentam ajuda em clínica?. Dois internos da Comunidade Gileade foram entrevistados e apenas um deles se disse usuário da área rural em busca de tratamento, faltando à edição de jornalismo da emissora informar um número que justifique o título da manchete. O assunto está sendo abordado de forma descontextualizada, causando a impressão de que os dependentes químicos assistidos são todos peões de alguma fazenda.

O problema é recorrente no interior e acontece em todas as localidades rurais de Mato Grosso do Sul. A escolha de Chapadão do Sul como cenário desta pauta – de forma insistente – omitiu novamente que o Assentamento Mateira – local das entrevistas do J A – não pertence mais a Chapadão do Sul. Esta informação não mudaria a dura realidade do tráfico e consumo de drogas, mas faria justiça e acabaria com a má impressão causada após as insistentes veiculações do material.

Uma equipe da emissora foi enviada a Chapadão do Sul para a produção de uma matéria de qualidade questionável sob a ponto de vista informativo. De novidade apenas entrevistas com o prefeito (Luiz Felipe Magalhães), secretária de Assistência Social (Jeane Camargo), o promotor (Marcus Vinícus Tieppo Rodrigues) e dirigentes da Gileade. Faltou mais precisão sobre o número de dependentes químicos da zona rural em busca ajuda, já que este era era a manchete. Faltou uma entrevista com o secretário de Segurança sobre as ações que pretende implantar para combater o tráfico de drogas no estado e viabilizar reforços para as polícias Civil e Militar.

MATéRIA DA TV MORENA HOJE – O crack ultrapassou a barreira entre o campo e a cidade. Em Chapadão do Sul, a 320 km de Campo Grande, a droga já está presente nas propriedades rurais. A região conhecida pela produção de soja, milho e algodão, enfrenta um problema que antes era considerado exclusivo dos grandes centros urbanos. O assunto foi mostrado em reportagem do Bom Dia MS desta segunda-feira (3).

Um trabalhador rural de 40 anos e com quatro filhos vive instabilidade familiar por causa da droga. Pela terceira vez, ele tenta a reabilitação em uma clínica. “Passei um bom tempo da minha vida com uso da cocaína. O crack eu vim conhecer há poucos anos atrás. O crack é um dos pontos mais perigosos. Foi o que mais me levou ao flagelo”, conta o trabalhador, que pediu para não ser identificado.

Em Chapadão do Sul, existem três casas para tratamento de dependentes químicos, que atendem 70 pessoas. Os locais também recebem pacientes de várias cidades de Mato Grosso do Sul e de outros estados. O prefeito da cidade, Luiz Felipe Magalhães, diz que uma das estratégias do município para enfrentar o uso e o tráfico tem sido o conselho de segurança. Já o promotor de Justiça Marcus Vinícius Tieppo Rodrigues relata que o trabalho de repressão ficou mais difícil nos últimos anos por causa de uma lei federal que proibiu a prisão do usuário que não aceitar o tratamento.

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