De que adianta protestar se ninguém, e é isso mesmo: NINGUéM, quer de fato tomar medidas que venham a mudar a situação de nossa sociedade? Os problemas começarão a ser resolvidos a partir do momento em que todos estiverem comprometidos a não apenas cobrando do poder público mudanças, mas fazendo a diferença de fato. Claro que os ?eleitos? devem sim tomar medidas que venham a modificar o cenário caótico em que nos encontramos; claro que o poder público tem nas mãos as ferramentas necessárias para fazer valer as leis que aí estão para nos proteger e se necessário, nos punir, mas pergunto a todos: admitiríamos isso?
Melhor seria, e isso por si só seria um grande milagre (e nisso eu não acredito, em definitivo!) se amanhecêssemos com uma solução para o problema da delinquência e do vício que se instalou dentro de nossas casas. No entanto, o que tenho visto, dia a dia, é que todos esperam DO OUTRO uma atitude, nunca da si! O erro está exatamente aí, posto que quando permito que meu filho pequeno pinte e borde dentro de casa, o que poderei esperar dele quando venha a crescer? A casa da criança é o ensaio do mundo adulto e o que temos visto hoje em nossa sociedade é exatamente a resposta para a falta de limites das crianças de ontem.
Estamos à mercê da geração ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e, sem querer ser desrespeitosa com o poder público aqui, penso que está sim na hora de reavaliar a legislação que rege nossas vidas e que já provou por A+B ser absolutamente ineficiente, já que não houve, por parte de todos a compreensão de que pais devem sim educar seus filhos, que a lei existe, mas é para casos extremos e nossos pais, nossos avós deixaram isso bem claro pra nós lá atrás, porque será que não conseguimos colocar esses valores para nossos filhos?
Porque querer que o filho do outro seja mais educado, mais comprometido com o bem social se o meu não é? Um primeiro passo, como podemos perceber por tudo o que se desenrola à nossa volta (basta assistir ao noticiário), é voltar nossos olhos para o interior de nossos lares, já que o cidadão se forma ali. Cansamos de ver o tempo todo (perguntem isso aos professores de seus filhos e receberão respostas assustadoras) crianças e jovens absolutamente perdidos e sem referência, já que alguém, algum maldito dia, disse a seus pais que ?tudo traumatiza?, ?tudo deve ser pensado dez vezes, antes de ser tentado? e eles decidiram que seus filhos não passariam por aquilo por que passaram.
Só se esqueceram de que aquilo por que passaram, na grande maioria dos casos, os tornou homens e mulheres de bem! Claro que tudo o que nos acontece deve ser pensado, filtrado e moldado às necessidades presentes, já que a geração é outra, o mundo mudou (nesse caso para pior) e não queremos que nossos filhos apanhem de cabo de vassoura, de fio de ferro, ou mesmo trabalhem à exaustão para ajudar a manter a casa. No entanto, alguns dos valores que nos eram passados, como respeitar as leis e o direito dos outros, por exemplo, não foram repassados, basta olhar e ver como nossos filhos encaram o direito dos outros.
Seriam os valores do passado tão ruins assim? Os tempos são outros, nisso concordo em gênero, número e grau com qualquer um, mas que tipo de sociedade queremos afinal quando não educamos, quando não vamos às reuniões escolares de nossos filhos? Quando não lhes ensinamos, pelo exemplo, que os direitos existem para todos, inclusive para o delinquente! E essa é uma questão que deve sim ser discutida, mas com a real compreensão de que de nada adianta querer que a sociedade mude quando eu mesmo me recuso a mudar minhas atitudes.
Katiusce Nogueira
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