Chapadão do Sul/MS

Jornalista bom é aquele que agrada ou o que fala a verdade? Porque o rancor contra nós?

Muitos jornalistas morreram para que tivéssemos hoje a tão propalada liberdade de expressão. Recentemente o PT de Luiz Inácio Lula da Silva ?eliminou? o diploma de jornalista para o exercício da profissão, apesar dos grandes veículos de comunicação do País ainda terem na formação acadêmica a referência nas contratações. é a velha máxima: ?Dê poder a alguém para testar seu caráter?. Nada contra os jornalistas não formados, principalmente aqueles que ganham seus salários como ?chapas brancas ou práticos? sem nunca terem experimentado atuação profissional em veículos de comunicação que tem no jornalismo a razão de sua existência.

Antônio João, João Natalício, Walfrido Silva e Oscar Ramos Gaspar são apenas algumas lendas do jornalismo de Mato Grosso do Sul que ensinaram muitos formados conceitos de ética e trabalho de campo. Guardadas as respectivas características, nenhum deles tinha receio ou medo de colocar a lauda na máquina datilográfica e escrever o que deveria ser dito. Hoje não se usam mais máquinas e nem laudas, mas honra, ética e companheirismo ainda possuem os mesmos valores.

A liberdade de imprensa (ou qualquer outro tipo de liberdade) é tida como positiva porque incentiva a difusão de múltiplos pontos de vista, incentivando o debate e por aumentar o acesso à informação e promover a troca de idéias. Apesar disso sempre foi vista como um inconveniente em sistemas políticos ditatoriais. O primeiro ato destes governos é reprimir esta liberdade, embora no sistema democrático figuras patéticas também tentam impedir o trabalho da imprensa para agradar seus patrões ou por outros motivos obscuros.

Há muitos e muitos anos, durante a ditadura militar, uma cerimônia anual da Aeronáutica era coberta por todos os meios de comunicação: a entrega dos espadins aos cadetes. O presidente da República, sempre um general ou marechal, ia de Brasília a Piraçununga, comandava aquela cerimônia chatíssima, cumprimentava os melhores alunos, militares de várias patentes batiam continência uns para os outros.

Para os militares, havia um coquetel num salão coberto; para os jornalistas, todos de terno e gravata, um cercadinho ao sol, com soldados armados tomando conta e nem um copo d?água. Um horror. Mas ? e aí estava o motivo da cobertura jornalística ? os presidentes costumavam fazer discursos políticos.

Já o governo do PT inovou e quer um tal controle social da mídia, que em português claro é chamado simplesmente de censura. O ministro do Supremo Joaquim Barbosa, endeusado por boa parte dos meios de comunicação e dos jornalistas, nem ouve a pergunta que lhe seria feita e manda o repórter chafurdar no lixo (e ainda saiu xingando, ?palhaço!?).

O governador tucano Marconi Perillo conseguiu na Justiça uma liminar proibindo a repórter Lênia Soares de citar seu nome. Irritou-se, ao que tudo indica, com as matérias que ela publicou no Diário de Goiás e em seu blog a respeito de Carlinhos Cachoeira e seus múltiplos e bons relacionamentos com gente de dentro e de fora do Estado, com gente de dentro e de fora do governo.

O ministro Joaquim Barbosa pediu mais tarde que sua assessoria de imprensa atribuísse seu destempero a ?cansaço? e ?dores nas costas?. Mas se o cansaço e as dores nas costas o deixam tão irritado, tão agressivo, como pode analisar processos que lhe exigem esforço intelectual e físico?

O fato é que todos gostam da imprensa na hora em que dá notícias contra seus adversários, ou quando faz elogios. O problema é que notícia é exatamente aquilo que seus protagonistas não querem ver publicado. O que eles querem ver publicado ? e detestam quando não é ? se chama propaganda.

E hoje, qual a desculpa para a hostilidade dos jornalistas?

FONTE: Jornalista Carlos Brickmann no Observatório da Imprensa.

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