Chapadão do Sul/MS

INTERNAUTA: Um tapinha não dói. Este papa é do meus (Chapadão do Sul)

Katiusce Nogueira (*)

Uma questão deveras interessante essa. Bater ou não bater? Eis a questão. Bom, penso e vejo todo o tempo que há sim uma deturpação clara do papel dos pais e da sociedade sendo feita pela interpretação da atual legislação, e mais ainda, há uma conivência estranha da sociedade inteira em aceitar como regras, ‘leis’ arbitrárias e assim, abandonar à própria sorte, os filhos que coloca no mundo. Sim, sim….digo isso sem a menor culpa, porque o que vejo é justamente isso, a legislação, que muitos apenas conhecem apenas de ‘ouvir falar’ proíbe isso, aquilo e aquilo outro, mas há muitas questões que o Estado não tem como regular, e a principal delas é o respeito e o temor da ‘lei paterna/materna’.

O lar e a família, são os sacrossantos lugares em que o Estado não entrará quando não houver excessos, e é por isso que se cria essas leis tão estranhas às necessidades de regulação dos comportamentos atuais. O que vejo como psicóloga, mãe, professora? Vejo gente que se desculpa por não querer criar direito os filhos e usa de desculpas para não fazer a sua parte. Qual é a parte de pai e mãe? Impôr regras e exigir que elas sejam cumpridas, à força se for necessário, pois colocar de castigo e dar um tapa não devem ser vistos como os terroristas defensores de ‘direitos humanos’ (que na verdade nem entendem direito o que estão a defender) pregam tão veementemente. Vejam a sociedade em que vivemos e observem que quase todos os que tem mais de trinta ou quarenta trabalham, produzem e os filhos do ECA?

O que eles fazem hoje? Não que a lei seja absurda em todos os seus pontos, volto a tomar esse posicionamento, porque ainda achamos quem queira usar de maldade ao interpretar o que escrevemos e deturpar isso para nos colocar à margem da lei. A lei acima mencionada foi sim um marco regulador importante, mas convenhamos que após sua aplicação, em muitos casos errônea e mal intencionada, o que temos é a proteção de situações em que o Estado deveria interferir um mínimo possível. Vejo crianças pequenas a ameaçar os pais com o CT!!! E me pego a pensar o que será daquilo ali mais tarde? E olho nos pais e vejo que hoje, há sim um temor, eu diria até uma certa vergonha em corrigir os filhos e que isso NUNCA deve ser feito em público. Pobres pais!

Os olho com os olhos do pavor, da incompreensão e da falta de respeito por seu papel de ‘bananas’ que são. Gosto muito de ver pais e mães atuantes, e que não deixam a criança fazer o que bem entende, por perceber que ali está um serzinho que precisa ser educado, orientado e punido, se for o caso. Prefiro mil vezes pais que retrucam as bobagens dos filhos, àqueles que batem palmas a qualquer impropério e depois nos vêm a chorar e pedir auxílio, pois estão a ser desrespeitados pelos próprios filhos.

São hoje muitas as teorias e muitos os estudiosos que defendem uma educação mais rígida para a felicidade futura dos pequenos e, é bom que não se confunda rigidez com espancamento, mas defendo que uma pessoa que tenha sido educada com rigidez é sim mais feliz, mais centrada, mais organizada e, cabe à compreensão humana perceber que sim, há uma linha que foi perigosamente cruzada pelo Estado ao tirar das instituições e seus representantes sua autoridade, criando com isso verdadeiros zumbis sociais, na forma de pessoas tão desajustadas, que hoje temos esse avanço absurdo no consumo de drogas por pessoas cada vez mais jovens (apreenderam uma criança de 8 anos em Fernandópolis, usuária de Crack) e o avanço da criminalidade. Casos estes que não nos supreendem nem um pouco quando vamos à Construção dos Instrumentos de Cuidado e nos deparamos com famílias absurdamente sem rumo e sem regra alguma.

Há algum tempo, em conversa com uma pessoa a quem admiro muito e na função de Conselheira do CMDCA fiz- lhe um convite, e ele aceitou. O convite foi vir até aqui fazer uma palestra, justamente para falar do ‘Resgate da Autoridade dos Pais’. Infelizmente a sociedade sul chapadense e mesmo até muitas das autoridades convidadas não nos deram a mínima, mas aqueles que lá estiveram foram brindados com a clareza dos argumentos de um dos Juízes da Infância hoje, mais festejados por todos os lugares em que vá. Dr. Evandro Pelarin veio até nós para falar da Lei atual, dos perigos da falta de orientação aos jovens, mas principalmente, veio nos abrir os olhos para o modo como temos criado nossas crianças.

Ele falou ali, em alto e bom som, que é facultado aos pais a correção dos filhos e que cabe a estes ajudar nas tarefas domésticas quando lhes é lícito, bem como a que respeitem os pais e autoridades constituídas. Foi uma noite ímpar, da qual não me esquecerei, pois achava que era ‘doida’ ao defender tão veementemente certas bandeiras e vi, naquela noite, que não. Precisamos resgatar a autoridade da família, essa é a luta mais urgente dos últimos tempos, e quando digo autoridade, digo deveres, inclusive! Eu, particularmente, me encontro um pouco cansada de tantos direitos direitos direitos, sem que se tenha um mínimo de cuidado em argumentar sobre deveres. Esse papa é dos meus!

Psicóloga do CRAS (Centro de Referência em Assistência Social) e Coordenadora do Pronatec

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