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Um epitáfio que caberia em seu túmulo poderia ser o mesmo pedido pelo poeta Mário Quintana em sua lápide… “Eu não estou aqui”, numa alusão que ele está na memória de centenas de amigos.
Ontem foi celebrado o Dia Nacional dos Bombeiros com várias atividades alusivas á data em Chapadão do Sul. É um evento importante e merecido à esta categoria de profissionais que trabalha com extremos e treinados para salvar vidas em tragédias. Amigos do Sub-Tenente Bombeiro Leniro Oliveira dos Santos – in memorian – enviaram imagens para lembrar um pouco de sua trajetória como bombeiro e parceiro de pescarias, churrascos ou qualquer outra atividade que era convidado. Estava sempre à frente da tradicional Alvorada Festiva e faleceu há cerca de 5 anos, vítima dos efeitos da Covid-19
Deixou um legado de vários amigos que conquistou em Chapadão do Sul. Levou para o túmulo apelidos carinhosos como “Bradok” e “Biro” dados por pessoas que o admiravam. Chamá-lo de sargento após a promoção era “comprar briga na certa” e o desavisado tinha que pagar a rodada. Por isso ganhou o apelido de Coronel Bradok para evitar erros. Na prática nunca se aposentou e sempre dava um jeito de avisar a polícia ou a imprensa sobre irregularidades que via na cidade. Motorista que descartavam lixo nas ruas e avenidas eram seu alvo predileto.
É assustador como o tempo passa rápido e como o desperdiçamos com coisas fúteis. Muitos amigos ainda tem na memória o cortejo fúnebre pelas ruas da cidade até o Cemitério Municipal de Chapadão do Sul, a última morada do amigo Bradok. Era comum vê-lo numa de suas construções, em casa fazendo um churrasco para os amigos mais próximos ou até mesmo deixando os afazeres para ajudar um amigo ou pescar.
Tinha como perfil a “cara de durão, mas coração mole”. Foi uma das mortes mais sentidas em Chapadão do Sul após contaminação por Covid-19. A foto desta matéria foi envida por Maiquel de Gasperi, um dos amigos próximos do oficial. Dos Santos se aposentou após 28 anos prestando relevantes serviços à sociedade no 7º Sub-Grupamento do Corpo de Bombeiros. Foi um grande colaborador da imprensa da “velha guarda” quando estava na ativa. A relação de amizade e respeito nos trabalhos simultâneos de cobertura jornalística até hoje são lembrados.
Salvou muitas vidas, prestou socorro a várias pessoas. Teve uma ocorrência em especial que marcou a relação entre alguns veículos de comunicação e o então sargento Dos Santos. Foram mais de 7 horas de trabalho duro para salvar a vida de um caminhoneiro preso na cabine esmagada por toneladas de madeira na MS-306, na rotatória de acesso a Costa Rica e a localidade do Gaúcho Pobre.
Quando a imprensa chegou os bombeiros já estavam no local e removiam toras e pranchões gigantescos com motosserra e outros equipamentos. O tempo foi passando e todos começaram a mostrar sinais de cansado pelo esforço e a tensão da luta contra o tempo. Não havia risco de incêndio, mas o grupo de salvamento não conseguia avançar em direção à vítima dentro do que restou da cabine, praticamente enterradoa no chão e prensada por toneladas de madeira.
“TODA VIDA IMPORTA”– Cesar Rodrigues (chapadensenews.com.br) e Adejair Morais (ocorreionews.com.br) se revezavam para segurar equipamentos que ficavam cada vez mais pesados após o uso prolongado como motosserras. Passadas as 7 horas o motorista foi removido com suspeita de fratura numa das pernas e conduzido ao Hospital Municipal de Costa Rica. Uma semana depois Dos Santos e os representantes da imprensa foram informados que o motorista que exigiu tanto esforço para ser salvo morreu devido à complicações que não foram informadas na ocasião.
Esta ocorrência reforçou em todos que a nobre luta para salvar uma vida deve exigir todo o esforço possível, não importa o tempo levado e nem o que acontecerá depois. Na ocasião Dos Santos ficou muito triste pela morte da vítima. Citar algumas destas lembranças da convivência com Dos Santos é uma forma de perpetuá-lo em nossas lembranças. Merece ser lembrado com Louvor no Dia Nacional dos Bombeiros no 2 de julho



