Chapadão do Sul/MS

PODER Judiciário condenou a 2,8 anos motorista envolvido em acidente que resultou na morte de jovem. Regime será aberto

               O Juiz da 1ª Vara de Justiça de Chapadão do Sul, Dr Sílvio Prado, condenou o condutor do carro que perseguiu o jovem  Victor Kaio Dias Coelho (16), resultando em sua morte, a 2 anos e 8 meses em regime aberto. A decisão  do magistrado é longa e contém vários depoimentos da defesa do acusado e dos parentes e amigos da vítima. A tragédia se deu em junho de 2024 e teve início com incidente de trânsito entre ambos que acabou em perseguição. Na sequência Victor colidiu sua moto contra uma árvore na rua D, tendo morte instantânea. 

Victor teria se desentendido com o motorista e chutado o espelho retrovisor do carro. Segundo o juiz, ao decidir perseguir o motociclista o acusado criou um risco alheio ao fluxo normal do trânsito, forçando a vítima a elevar sobremaneira a velocidade na tentativa de se desvencilhar do carro. Trata-se de um incidente bobo de trânsito que infelizmente acabou em tragédia.

Segundo os autos, embora a perícia aponte que a motocicleta atingiu 123 km/h não precisaria acelerar caso não estivesse sendo perseguida como causa e efeito.  O fato réu estar a um quarteirão de distância no momento da queda não rompe o nexo, pois o estado de pânico e a necessidade de fuga da vítima foram causados pela perseguição, destacou a decisão.

A defesa alegou que a culpa foi exclusiva da vítima em razão da alta velocidade, da falta de habilitação e do consumo de álcool. Ainda que se reconheça a concorrência de culpas – ou seja, que a conduta da vítima também foi imprudente – , tal fato não exime o réu de  responsabilidade criminal.  Neste caso, segundo a decisão do juiz, a conduta do réu foi determinante para o desfecho trágico.

O Poder Judiciário também negou provimento da acusação sob o argumento de que o réu estava sob influência de álcool. Não foi realizado exame de alcoolemia ou etilômetro nesta ocorrência que pudessem afirmar este indicativo. Já câmeras de segurança demonstram que o réu realizou conversão na esquina imediatamente anterior ao local do fato, sendo possível inferir que visualizou a queda da vítima, se omitindo da prestação de socorro.

O processo 0900324-74.2024.8.12.0046 fixou a pena inicial de 2 anos e 2 meses, aumentada em mais 8 meses pela omissão de socorro. O acusado também deverá prestar serviço comunitário e poderá recorrer da decisão. Victor Kaio Dias Coelho tinha 16 anos quando morreu.  É filho do proprietário da Rádio Cultura, Amaury Dias Coelho, e irmão do atual diretor da emissora, André Luiz Dias Coelho.

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